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Cinema
Em Porto Alegre
Homenagem ao crítico P. F. Gastal
11/02/2026
Em memória dos 30 anos da morte de P. F. Gastal, jornalista e crítico de cinema gaúcho, um dos idealizadores do Festival de Cinema de Gramado, a Cinemateca Capitólio realiza uma sessão especial e gratuita de Luzes da Ribalta (Limelight), de Charles Chaplin.
Gastal amava Chaplin e quando Luzes da Ribalta estreou em Porto Alegre fez campanha no Correio do Povo abrindo páginas diárias em defesa de filme. Pelos repetidos elogios foi chamado à ordem por Breno Caldas: “Gastal, não achas que estás exagerando?”. Chateado, ia acatar, mas antes de sair do gabinete do dono do jornal, arriscou: “O senhor já o assistiu?”. “Ainda não”. Naquela mesma noite Dr. Breno viu e no dia seguinte chamou seu editor de cultura: “Tudo bem, tens razão. O filme é maravilhoso”.
Além de continuar elogiando a obra-prima, adotou o pseudônimo Calvero, nome do palhaço decadente e alcoólatra, criado por Chaplin, que encontra um motivo para viver ao impedir o suicídio da bailarina Thereza (Claire Bloom). Em 1952, Paulo Fontoura Gastal já era reconhecido e respeitado por sua ampla cultura de cinema, iniciada nas matinês da infância, em Pelotas, onde programou o Cine Guarany e assinou coluna de filmes no Diário Popular. Em Porto Alegre, projetou-se escrevendo na Revista do Globo.
Convidado pelo cineasta Alberto Cavalcanti para assessoria na Cia. Cinematográfica Vera Cruz, passou um tempo em São Paulo e no Rio e colaborou no projeto do Instituto Nacional de Cinema. De volta ao Sul, capitaneou a criação do Clube de Cinema e ingressou na Cia. Jornalística Caldas Jr., onde trabalhou até a falência da empresa, nos anos 80. No Correio editava a “página social”, que era como chamavam a editoria de cultura, assinava as matérias de cinema e para não repetir seu nome, usava pseudônimos. “Calvero” foi adotado para a coluna diária no vespertino Folha da Tarde.
Se Carlitos foi um modelo humanista para Gastal – no qual admirava a tolerância, a coragem e a alegria, mas também o radicalismo, a covardia e a tristeza – P. F foi uma referência para gerações de leitores que aprenderam com sua paixão a ver filmes, valorizar no cinema sua função social e dimensão artística.
Faleceu em 12 de fevereiro, de 1996, aos 74 anos. Seu legado anima a cultura cinematográfica que nos constitui. “Não basta gostar, é preciso trabalhar pelo cinema” era uma de suas frases sempre lembrada por Goida. É o que faz a Cinemateca Capitólio. A sessão em homenagem ao Gastal é um gesto de memória, afeto e celebração do cinema.
Luzes da Ribalta
Escrito, dirigido e interpretado por Charlie Chaplin. A história se passa em Londres às vésperas da I Guerra Mundial. Calvero (Chaplin) é um palhaço em decadência que luta contra o álcool. Um dia, ao chegar bêbado a seu prédio, ele salva uma jovem bailarina que tentava suicídio. Ela é Thereza (Claire Bloom). Despejada pela dona do prédio, passa a viver com Calvero e formam uma bela amizade. Aos poucos o palhaço estimula Terry a enfrentar sua insegurança e voltar a dançar. Enquanto ela vai alcançando o estrelato, Calvero precisa enfrentar seus demônios interiores para não se afundar na amargura.
Chaplin contratou seu rival de cinema-mudo, Buster Keaton — sendo este o único filme em que atuaram juntos. Integram o elenco Charlie Chaplin (Calvero), Claire Bloom (Terry), Nigel Bruce (Postant), Buster Keaton ( parceiro de Calvero), Sydney Earle Chaplin (Neville), Norman Lloyd (Bodalink), Melissa Hayden (dublê de Terry nas danças) e Marjorie Bennett (Sra. Alsop), Syd e outros filhos e parentes de Chaplin: Geraldine, Josephine, Charles Chaplin Jr., Michael Chaplin e sua esposa Oona.
Luzes da Ribalta (Limelight) – EUA | 1952 | 137 minutos | DCP – Entrada franca